"Com todo o cuidado guarda teu coração, pois dele procede a vida" (Pv. 4, 23)

19 de jan de 2016













"Meu amor, estou à tua espera. Quanto dura um dia quando está escuro? E uma semana?
O fogo apagou-se. Tenho muito frio. 
Devia arrastar-me até lá fora. Mas haveria o Sol.
Receio gastar luz com as pinturas e para escrever estas palavras... 
Morremos... Morremos ricos com amantes e tribos, gostos que experimentamos, corpos em que penetramos e em que nadamos como rios. 
Medos em que nos escondemos como esta maldita gruta. 
Quero tudo isto marcado no meu corpo. Nós somos os verdadeiros países. Não as fronteiras marcadas em mapas com os nomes de homens poderosos.
Sei que virás e me levarás para o palácio dos ventos. É tudo o que quis. 
Passear nesse lugar contigo com amigos. 
Uma terra sem mapas. 
A lanterna acabou-se e estou a escrever às escuras..."


Imagem: Gruta da Lapinha [Fotografia por Moema N Queiroz]
Texto: trecho do filme "O Paciente Inglês"

10 de ago de 2015

Laços

Laços




Laços simples, nada mais.
Em ruídos perturbadores,
um fio condutor
silencioso e tranquilo.
E dentro de mim,
melodias reconfortantes ...


******

Simple ties, nothing more.
In disturbing noises,
a silent guiding
thread and quiet.
And inside me,
comforting melodies ...



gentle days for us ...
Moema




Image and text: by Moema N Queiroz
© Moema N Queiroz. Please be respectful of copyright. Unauthorized use prohibited

6 de ago de 2015

Ciclos© (por Moema N. Queiroz)

Duplo


Tempos densos sempre chegam.
E é impossível adiantar o compasso. A caverna é inevitável. Por vezes, somos rodeados por pensamentos dolorosos... Por outras, um vazio indecifrável. Ondas densas que insistem em nos afogar, como entes se apoderando de nossas forças, digerindo essências iluminadas que anteriormente tranquilizavam os geradores da vida. Em instantes, cremos mesmo que a Lua será sempre minguante, e que o Tempo nunca voltará a seu ritmo. E que nos transformaremos em era, folhas secas, quebradiças, poeira, vazios. E que a respiração ofegante não cessará. Será o fim. E que a dor lancinante jamais deixará de pulsar. Um olhar rápido e lá desfilam as tristezas, todas, em um só golpe. Em slow motion, pra torturar. Tomando a nossa mão com tal intimidade  displicente como se houvesse sido dada permissão. Num átimo de segundo, o olhar se perde e se torna frio. E o peso nas costas nos enverga. Paralisa. Petrifica. Ajoelho. Mas há contido nesse novelo uma essência... recordamos,  possuímos uma história que nos embalou e nos conduziu  até o agora. Então um sopro fresco vem lá do fundo, bem de dentro do nosso abismo, nos preenchendo com algumas clarezas, mesmo que incertas. A sensação do acolhimento, aquele velho conhecido. Com ele o estranho desejo de que talvez seja possível tudo melhorar.
Tempos bons soam próximos.


Afetuosamente,
Moema




Texto e Imagem por Moema N Queiroz
[Fotografia: Duplo por Moema N Queiroz, Veneza/IT, Fevereiro, 2013]

© Moema N Queiroz. Please be respectful of copyright. Unauthorized use prohibited




Minha outra vida

Minha outra vida
[Foto por Moema N Queiroz, Veneza/IT, Fevereiro, 2013]




"(...) Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles




Poema: A arte de ser feliz, por Cecília Meireles

Imagem: Minha outra vida [por Moema N Queiroz, Veneza/IT, Fevereiro, 2013]
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29 de jul de 2015

Under Pressure© (por Moema N. Queiroz)


Um dia livre, todo meu.
Bebendo um café coado, confortavelmente sentada em um banco de jardim.
Lá fora, a cidade em seu ritmo frenético habitual.
E em mim a vontade premente de desacelerar.
Under pressure? Só no café.
Ao menos hoje...

***

A day off, all mine.
Drinking a brewed coffee, comfortably sitting on a garden bench.
Outside, the city in its usual frenetic pace.
In myself, the urgent desire to slow down.
Under pressure? Only in the coffee.
At least today ...

gentle days for us ...
Moema

18 de mai de 2015

Blowing© (por Moema N. Queiroz)



Blowing

Caminhando nos arredores da Escola de Belas Artes, onde eu trabalho,  notei um trabalho artístico com materiais orgânicos suspensos, em uma bela árvore, criando uma espécie de cortina ou portal. Um objeto particularmente me chamou a atenção por sua simplicidade, entre tantas coisas complexas. No momento da foto, entre o objeto e eu,  inesperadamente, a brisa suave do inverno com sua sutil presença. Vibrações prenunciando o Solstício ...


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Walking outside the School of Fine Arts, where I work, I noticed an artwork with suspended organic material, in a beautiful tree, creating a sort of curtain or portal. An object particularly caught my attention for its simplicity, among so many complex things. At the time of the photo, between the object and I unexpectedly mild winter breeze with its subtle presence. Vibrations foreshadowing the Solstice ...


gentle days for us ...
Moema

Image and text: by Moema N Queiroz
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30 de mar de 2015

Contemplação© (por Moema N. Queiroz)

Silêncio do mundo


Onde o silêncio faz morada, 
onde o sol adormece
 e quando tudo se aquieta para receber o abraço da noite, 
é lá que o tempo reverencia a essência de tudo. 
Nesse infinito, repousa o mundo.

(Where the silence dwells, 
where the sun falls asleep 
and when everything quiets down to receive the embrace of the night, 
that's where the time reveres the essence of everything.
 In this endless, rests the world.)

Afetuosamente,
Moema.


Imagem e texto: Moema N Queiroz
http://on.natgeo.com/1NxXkkT
Image and text: by Moema N Queiroz
© Moema N Queiroz. Please be respectful of copyright. Unauthorized use prohibited

23 de mar de 2015

Ascension© (por Moema N. Queiroz)

Ascension



Há um momento dentro da Gruta da Lapinha que se faz necessário ascender a uma outra galeria e, para isso, precisamos subir  uma escada em fila indiana. Como em uma procissão, de degrau em degrau, alcançamos os mundos superiores repletos de surpresas e maravilhas. Como crianças, aguardamos ansiosos por novas descobertas dentro do corpo da Terra.

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There is a moment in the Lapinha Cave that is necessary ascend to another gallery, and for this we need to climb a ladder in single file. As in a procession, from step to step, we reached the higher worlds full of surprises and wonders. As children, we hope impatient for new discoveries within the body of the Earth.

Afetuosamente,

Moema




Imagem e texto: Moema N Queiroz
http://on.natgeo.com/1ObmkzL
Image and text: by Moema N Queiroz
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19 de mar de 2015

Rhadamanthus© (por Moema N. Queiroz)


Rhadamanthus



Caminhando pelo silencioso e frio carnaval veneziano, deparo-me com essa  linda e misteriosa figura, repleta de gestos e cores. Minhas memórias resgatam Rhadamanthus, um dos juízes dos mortos do mundo inferior grego. Acredito que, de tanto pesquisar na Biblioteca Nazionale Marciana sobre o tema Melancolia, comecei a delirar... Coisas de Veneza, essa terra mágica, onde a realidade nem sempre é o que parece ser.

(Walking through the quiet and cold Venetian carnival, I find myself with this gorgeous and mysterious figure, full of gestures and colors. My memories rescue Rhadamanthus, one of the judges of the Greek underworld dead. I believe that in both search on the Nazionale Marciana Library about the topic Melancholy I began to rave ... Things of Venice, this magical land, where reality is not always what it seems.)


Image and text: by Moema N Queiroz
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13 de mar de 2015

Into the cave© (por Moema N. Queiroz)

Into the cave
(Photo by Moema N Queiroz -- National Geographic Your Shot
)



.....Como em todas as coisas da vida é uma questão de tempo e
de paciência, 
uma palavra aqui, 
outra palavra acolá, 
um subentendido, 
uma troca de olhares, 
um súbito silêncio,
pequenas gretas dispersas que se vão abrindo no muro,
 a arte do devassador está em saber aproximá-las, 
em eliminar as arestas que as separam, 
chegará sempre um momento em que nos perguntaremos se o sonho, 
a ambição, 
a esperança secreta dos segredos não terão, 
afinal, 
a possibilidade, 
ainda que vaga, 
ainda que longínqua, 
de deixarem de o ser.

 José Saramago — A Caverna






Texto: José Saramago, trecho de "A Caverna"




23 de dez de 2014

Guarda o teu coração...




Um fim de ano de felicidade,
amor, generosidade, afetividade,
harmonia sem fim. 
E que perdure por 2015 
em nossos pensamentos, ações e palavras. 


"Com todo o cuidado, guarda o teu coração, 
pois dele procede a vida." 
(Pv. 4,23)

"O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa;
entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.
Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer 
e deixar que Deus penetre em sua alma.
O pinheiro de Natal é você, 
quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.
Você é a decoração de Natal, 
quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.
Você é o sino de Natal, 
quando chama, congrega, reúne.
A luz de Natal é você 
quando com uma vida de bondade, paciência, 
alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.
Você é o anjo de Natal 
quando consegue entoar e cantar sua mensagem
 de paz, justiça e de amor.
A estrela ­guia do Natal é você, 
quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.
Você será os Reis Magos 
quando conseguir dar, de presente, 
o melhor de si, indistintamente a todos.
A música de Natal é você, 
quando consegue também sua harmonia interior.
O presente de Natal é você, 
quando consegue comportar-se 
como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.
O cartão de Natal é você, 
quando a bondade está escrita no gesto de amor, 
de suas mãos.
Você será os “votos de Feliz Natal” 
quando perdoar, estabelecendo de novo, a paz, 
mesmo a custo de seu próprio sacrifício.
A ceia de Natal é você, 
quando saciar de pão e esperança, 
qualquer carente ao seu lado.
Você é a noite de Natal 
quando consciente, humilde, longe dos ruídos
 e das grandes celebrações, em silêncio, 
recebe o Salvador do Mundo.
Um muito Feliz Natal a todos 
que procuram assemelhar-­se 
com esse Natal." 

Papa Francisco


Texto: atribuído ao Papa Francisco
Imagem© 
Efêmero [Moema N Queiroz, Belo Horizonte/MG-2014]
https://www.flickr.com/photos/monaquevix/
© Moema N Queiroz. Please be respectful of copyright. Unauthorized use prohibited



14 de dez de 2014

Farewell


My father when child

"Dark the stars and dark the moon
Hush the night and the morning bloom
Tell the horses and beat on your drum: 
Gone their master, gone their son

Dark the oceans, dark the sky
Hush the whales and the ocean tide
Tell the salt marsh and beat on your drum: 
Gone their master, gone their son

Dark to light and light to dark
Three black carriages, three white carts.
What brings us together is what pulls us apart 
Gone our brother, gone our heart

Hush the whales and the ocean tide
Tell the salt marsh and beat on your drum: 
Gone their master, gone their son."


Imagem: Moema N Queiroz

Gone - Ioanna Gika
http://letras.mus.br/ioanna-gika/gone/traducao.html
Composition: James Newton Howard


11 de dez de 2014

Before I die...


Ilustratioon by Gervásio Troche

"Before I die, 
I want to be somebody’s favorite hiding place,
 the place they can put everything they know they need to survive, 
every secret, 
every solitude, 
every nervous prayer,
 and be absolutely certain 
I will keep it safe. 
I will keep it safe. "
 Andrea Gibson




Ilustração by Sungwoun


Impermanência© (por Moema N. Queiroz)


"SOMOS TODOS VISITANTES DESSE TEMPO E DESSE LUGAR.
 ESTAMOS SÓ DE PASSAGEM..."

Daddy and me

2014 tem sido um ano de despedidas em minha família. 
Muitas pessoas queridas se foram. 
Familia grande é assim: combina a chegada em bando mas o retorno à Casa também... 
À nós que cá estamos, desse outro lado, as memórias e legados, sentimentos em turbilhões sendo trabalhados, refinamentos de nossa alma, lapidação de diamantes brutos... 
as lágrimas dão espaço a um vago olhar, a um pranto interno, silencioso e quase imperceptível, surdo, pra dentro, sufocado, pois a umidade na face parece não ter nem mais sentido. 
Apenas um vazio inicial que aos poucos vai se preenchendo com ecos, imagens, murmúrios, e tempos dentro de um tempo que se aloja dentro de nós e se aninha com garras e hifas e laços amalgamados que nos aquecem, quando solitários nos encontramos perdidos nesse vago olhar. 
Então nos damos conta de que tudo aqui é uma incrível experiência. 
Haverá tempo para festejarmos. 
Em algum momento os portais serão transpostos...



Father And Daughter
2000 Academy Award for Animated Short Film


19 de nov de 2014

Retrato do artista quando coisa (Manoel de Barros)

"A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.

Nesse ponto
sou abastado.

Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.

Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.

Eu penso
renovar o homem
usando borboletas."

(1916 -2014)

Belen Lopez