"Com todo o cuidado guarda teu coração, pois dele procede a vida" (Pv. 4, 23)

6 de dez de 2013

 
 
 
 
 
"Deixar um pouco de si...
levar um pouco de mim..."

 Uma troca justa, para quem quer proximidade...
um ato de carinho,
um passo de coragem.





Texto: Texto entre aspas: autor desconhecido / a outra parte do texto: Moema N. Queiroz
Imagem: Fonte Imagens Google
 
 
 
 
 
 

1 de dez de 2013

Travessia



"A vida é assim: a gente escolhe um caminho na esperança de que ele vá nos conduzir a um lugar de alegria. Tolos, pensamos que a alegria está ao final do caminho. E caminhamos distraídos, sem prestar atenção. Afinal de contas, o caminho é só caminho, passagem, não é o ponto de chegada.
 Com frequência, a gente não chega lá, porque morre antes. Mas há poucos que chegam ao lugar sonhado – só para descobrir que a alegria não mora lá. Caminharam sem compreender que a alegria não se encontra ao final,  mas às margens do caminho. Não foi isso que disse Riobaldo? 'O real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio da travessia…' ”
( Rubem Alves)



Texto:   Trecho do livro  "Livro sem Fim" (Edições ASA), publicado em Portugal, de Rubem Alves Site: www.rubemalves.com.br 
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u896.shtml
Imagem: https://www.google.com.br/search?q=mergulho+em+cavernas&client=firefox-a&hs=iqn& rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=fflb&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=KDebUomBFpDsoATm2oHADg&ved=0CD0QsAQ&biw=1366&bih=619

27 de nov de 2013

Essencial







"Mas é preciso escolher...
Porque o tempo foge. 

Não há tempo para tudo.
Não poderei escutar todas as músicas que desejo,
não poderei ler todos os livros que des
ejo,
não poderei abraçar todas as pessoas que desejo.
É necessário aprender a arte de "abrir mão" -
a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial."




Fotografia: 
por  Moema N. Queiroz
no Retiro das Pedras
Minas Gerais

1 de nov de 2013

Genteflor






"Tem gente tão bonito por dentro que eu desconfio que come flor."




"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar."

Cecília Meireles





https://www.facebook.com/photo.php?fbid=483223548442058&set=a.241983112566104.49527.241980062566409&type=1&theater

http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp





14 de out de 2013

Tempo Certo

Em um dos livros bíblicos – o Eclesiastes – há um texto de grande beleza. É o capítulo 3. Esse texto, que é atribuído ao sábio Rei Salomão, versa sobre o tempo e é uma preciosa lição. Diz que tudo tem o seu tempo determinado, e que há tempo para todo o propósito sob o céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer. Tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de derrubar, e tempo de edificar. Tempo de chorar, e tempo de rir ou de dançar. Tempo de abraçar, e tempo de afastar-se. Tempo de buscar, e tempo de perder. Tempo de guardar, e tempo de lançar fora. Tempo de rasgar, e tempo de costurar.
Tempo de calar, e tempo de falar.
É uma sábia avaliação do ritmo e das leis que regem a vida. Nascemos quando precisamos de mais uma experiência na Terra. E devemos deixar o corpo, no momento exato em que já cumprimos nossa missão na Terra. Nem antes, nem depois, mas no exato momento em que Deus nos convida a voltar para a nossa casa celeste. Há a hora certa para falar: é quando nos dispomos a consolar o que chora, a emprestar um ombro amigo, a dar um bom conselho. Há o momento de silenciar, quando basta segurar a mão de alguém e transmitir solidariedade. E há o momento de calar, para não ofender, magoar, maltratar. Há o momento de plantar e o de colher. Não podemos esquecer que tudo o que semearmos livremente, seremos obrigados a colher mais tarde. É uma lei universal chamada causa e efeito: a vida nos devolverá na exata medida do que fizermos. Seríamos tão mais felizes se observássemos o momento adequado de todas as coisas. A vida requer olhos atentos. Não apenas os olhos físicos, mas as janelas da alma que são capazes de identificar necessidades e potenciais alheios. As almas sensíveis reconhecem a hora certa de agir.
Diz o texto do Eclesiastes que não há coisa melhor do que alegrar-se e fazer o bem. Somente um sábio seria capaz de dizer tão profunda verdade com tanta simplicidade! Viver contente com todos os aprendizados que a vida traz é uma arte pouco praticada e quase desconhecida. Saber alegrar- se com as pequeninas coisas de todo dia. Descobrir poesia em pétalas de flor, luares e poentes. E fazer o bem? Há atividade mais agradável aos olhos de Deus que amar todos os seres, respeitar a Criação Divina, impregnar-se de ternura? É esse sentimento de admiração à obra Divina que fez o sábio Salomão escrever: Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente. Nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar.
Sim, diante da obra Divina, só nos cabe entender que nada acontece sem que o Pai Celeste saiba e permita. Embora debaixo do sol haja mais impiedade que demonstrações de amor, mais iniquidade que justiça, acredite: tudo está correto e seguindo a vontade Divina. Isso é tranquilizador.
O importante não é a maneira como os outros agem, mas como nós agimos.
* * *
Não se preocupe com os outros. Preste contas apenas de sua vida e de seus atos. Alegre-se com o amor de Deus, aja de forma reta, tenha a consciência asserenada pelo dever cumprido. Tudo isso se transforma automaticamente em felicidade." 




.



 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. Fep. Em 19.05.2008

13 de out de 2013

Possibilidades (Wislawa Szymborska -1923/2012)

A collection of sketches in a small book -  Tifenn Python


Prefiro filmes.
Prefiro gatos.
Prefiro os carvalhos ao longo de Warta.
Prefiro Dickens a Dostoiévski.
Prefiro-me gostando de indivíduos
a mim mesma amando a humanidade.
Prefiro manter uma agulha e linha à mão, em caso de precisão.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar
que a razão é a culpada de tudo.
Prefiro exceções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro falar com os médicos sobre outra coisa.
Prefiro as antigas bem alinhadas ilustrações.
Prefiro o absurdo de escrever poemas
ao absurdo de não escrever poemas.
Prefiro, quando o amor diz respeito, aniversários inespecíficos
que podem ser comemorados todos os dias.
Prefiro moralistas
que me prometem nada.
Prefiro bondade astuta ao tipo super confiante.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro conquistados a países conquistadores.
Prefiro ter algumas reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro os contos de fadas dos Grimm às primeiras páginas dos jornais.
Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro cães com caudas não cortadas.
Prefiro os olhos claros, uma vez que os meus são escuros.
Prefiro gavetas.
Prefiro muitas coisas que não mencionei aqui
a muitas coisas que também deixei não ditas.
Prefiro os zeros à solta
àqueles alinhados atrás de uma cifra.
Prefiro o tempo de insetos ao tempo de estrelas.
Prefiro bater na madeira.
Prefiro não perguntar quanto tempo e quando.
Eu prefiro manter em mente a possibilidade
de que a existência tem sua própria razão de ser.






Canção da Plenitude (Lya Luft)

Le Sommeil Tranquille - Tifenn Python
,
 "Não tenho mais os olhos de menina 
nem corpo adolescente, 
e a pele translúcida há muito se manchou. 
Há rugas onde havia sedas, 
sou uma estrutura agrandada pelos anos 
e o peso dos fardos bons ou ruins.
 (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: 
dou-te os meus ganhos. 
A maturidade que consegue rir 
quando em outros tempos choraria, 
busca te agradar 
quando antigamente quereria apenas ser amada. 
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: 
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, 
 com mais paciência 
e não menos ardor, 
a entender-te se precisas, 
a aguardar-te quando vais,
 a dar-te regaço de amante 
e colo de amiga, 
e sobretudo
 força - que vem do aprendizado. 
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
 cujas marés - mesmo se fogem - retornam,
 cujas correntes ocultas 
não levam destroços
 mas 
o sonho interminável das sereias." 

Lya Luft




10 de out de 2013

Colecionador


http://tifennpython.blogspot.com.br/2010/07/sketches-in-small-book.html




"Sofro por causa do meu espírito
de colecionador-arqueólogo.
Quero por o  bonito numa caixa com chave
para abrir de vez em quando e olhar."

Adélia Prado














24 de set de 2013

Tomar uma coca-cola com você... (Frank O'Hara)




http://tifennpython.blogspot.com.br/2010/07/sketches-in-small-book.html

...é ainda melhor que uma viagem a San Sebastian, Irun,Hendaye, Biarritz, Bayonne
 ou que ficar enjoado na Travessera de Gracia em Barcelona 
em parte porque nessa camisa laranja você parece um São Sebastião melhor e mais feliz 
em parte porque eu gosto tanto de você, 
em parte porque você gosta tanto de iogurte 
em parte por causa das tulipas laranja fluorescente contra a casca branca das árvores 
em parte pelo segredo que nos vem ao sorriso perto de gente e de estatuária 
é difícil quando estou com você acreditar que existe alguma coisa tão parada
tão solene tão desagradável e definitiva como estatuária 
quando bem na frente delas na luz quente de Nova York às quatro da tarde 
nós estamos indo e vindo 
de um lado para o outro como a árvore respirando pelos olhos de seus nós
e a exposição de retratos parece não ter nenhum rosto, só tinta 
de repente você se surpreende que alguém tenha se dado ao trabalho de pintá-los 
olho pra você e prefiro de longe olhar para você 
do que para todos os retratos do mundo 
exceto talvez às vezes o Cavaleiro Polonês que de qualquer maneira está no Frick 
aonde graças a Deus você nunca foi 
de modo que eu posso ir junto com você a primeira vez 
e isso de você se mover tão bonito mais ou menos dá conta do Futurismo 
assim como em casa nunca penso no Nu Descendo a Escada ou 
num ensaio em algum desenho de Leonardo ou Michelangelo que costumava me deslumbrar 
e o que adianta aos Impressionistas tanta pesquisa 
quando eles nunca encontraram a pessoa certa para ficar perto de uma árvore 
quando o sol baixava 
ou por sinal Marino Marini que não escolheu o cavaleiro tão bem quanto o cavalo 
acho que eles todos deixaram de ter uma experiência maravilhosa 
que eu não vou desperdiçar 
por isso estou te contando

Frank O'Hara
(1926 - 1966)

28 de ago de 2013

Interlúdio





"(...)

Há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida, 
pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! 
E se um dia hei-de ser pó, 
cinza e nada 
Que seja a minha noite 
uma alvorada, 
Que me saiba perder...
para me encontrar...."

Florbela Espanca
(trecho do poema Amar)





26 de ago de 2013

Fidelidade ao estar terrestre (Sophia de Mello Breyner Andresen)





"Um acampamento na bruma" - 1953



"Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. 
Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. 
Quero comer devagar e gravemente 
como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.
Não quero possuir a terra, mas ser um com ela. 
Não quero possuir nem dominar porque quero ser: esta é a necessidade.
Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. 
O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser. 
Dai-me a claridade daquilo que é exactamente o necessário. 
Dai-me a limpeza de que não haja lucro. 
Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo. 
Chegou o tempo da nova aliança com a vida."

Sophia de Mello Breyner Andresen




Foto de 1953 " Um acampamento na bruma" - Autor não identificado
Expedição de reconhecimento no Rio das Velhas/MG


23 de ago de 2013

Fundo do Mar (por Sophia de Mello Breyner Andresen)

http://tifennpython.blogspot.com.br/

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen
(Obra Poética I - Caminho)





18 de ago de 2013

Outra escolha

http://tifennpython.blogspot.com.br/
A dor de Medusa, 
quase todos desconhecem. 
Ela poderia ter tido uma segunda chance. 
E seus cabelos de serpente teriam se transformado em exuberantes 
e vibrantes 
e rubros
tons outonais. 
E toda sua beleza 
e força 
e poder
e paixão
teriam sido usados
 a seu favor 
ao invés de padecer 
nas mãos de Perseu...




http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mitologia-grega/medusa.php

12 de ago de 2013

Pequena Epifania




" (...) Corra e olhe o céu

Que o sol vem trazer


Bom dia ..." 


Cartola















9 de ago de 2013









"Penso que as palavras essenciais que me expressam 
se encontram nessas folhas que nem sabem quem sou."

Jorge Luiz Borges (1899-1986)
em Meus Livros, Obras Completas v. III
(Editora Globo)







6 de ago de 2013

Hiroshima... Nagasaki.

Insanidade. 
Inocentes pagando pelos erros de gananciosos. 
A humanidade compondo suas história de terror
 com seu rastro de sangue... 
Triste humanidade.



"Lembro-me como se fosse hoje. Eu estava caminhando nas ruas da cidade quando a bomba caiu. Primeiro foi um clarão, depois uma escuridão. Então começou uma chuva preta, e as pessoas que estavam queimadas abriam a boca para tomar aquela água contaminada. Eu via pessoas queimadas, dilaceradas, (...) pedindo água e implorando por socorro."
Takashi Morita

"De repente escutei o maior barulho que ouviria na vida e vi um enorme cogumelo de fumaça, que misturava tons de preto, cinza, branco e rosa. (...) A gente tinha pouca comida. Havia batata doce na nossa horta, mas não dava para preparar de um jeito gostoso. No fim, a gente comia muita batata e só um pouquinho de arroz".
Mihoko Ikeda






Idosos sobreviventes do bombardeio, responsáveis do governo e delegados estrangeiros fizeram um minuto de silêncio às 8h15 local (20h15 Brasília), a hora da explosão que converteu a cidade em um inferno nuclear. O bombardeiro americano batizado de Enola Gay lançõu a bomba atômica no dia 6 de agosto de 1945, em uma ação decisiva para acabar com a II Guerra Mundial. O ataque matou 140 mil pessoas até dezembro do mesmo ano. Três dias após o ataque, outro avião lançou uma bomba nuclear sobre o porto de Nagasaki, matando 70 mil pessoas. Os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki precipitaram a capitulação do Japão e o final da II Guerra Mundial, no dia 15 de agosto de 1945.


Hiroshima lembra 68º aniversário de ataque nuclear (Foto: Toru Yamanaka/AFP)


Um homem reza por vítimas do bombardeio de 1945 em Hiroshima.

(Foto: Kyodo/Reuters)




http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/hiroshima-lembra-68o-aniversario-de-ataque-nuclear-1.html

15 de jul de 2013

Pluma


"Leve o pensamento na cabeça 
Tão leve que nem é preciso pensar noutra coisa, além de tudo aquilo que vivemos.
Viver é pensar um pouco, 
Mas só o suficiente para não deixarmos de viver. 
Às vezes, viver é também lembrar do que se vive 
Dos grandes e prazerosos momentos juntos 
Que vez ou outra, não são muito grandes mas que nos fazem um bem enorme.
Viver é correr o risco de não pensar de não querer pensar nada além do que se está vivendo Como se aqui e agora fosse tudo o que tivéssemos. 
É tudo o que temos! 
Leve também cada expressão no rosto 
De saudade, de carinho ou de desejos 
Leve no coração uma gostosa sensação de paz 
Essa mesma paz que nos faz ir em busca das mudanças 
Leve esse sorriso no rosto de quem sabe que está chegando 
Sabe também que está sempre partindo um pouco 
Sem deixar de ter consigo todas as estradas porque passou."




http://www.vanessa-cooper.co.uk/




4 de jul de 2013

Cristalina








"Somos um grande recipiente

Quando estamos cheios de água turva
as coisas boas não têm espaço para chegar
é preciso esvaziar-se primeiro
para encher-se de água limpa...
e desfrutar"

Soledad Voulgaris






20 de jun de 2013

Como se desmonta uma nação






Corrupção: a cara da besta (Angeli)







12 de mai de 2013

Flora e os seus


"Fosse eu Rei do 
Mundo,
Baixava uma Lei:
Mãe não morre
nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora, 
será pequenino
feito grão de milho."

Carlos Drummond de Andrade
http://www.releituras.com/drummond_bio.asp


Imagem: Coleção particular de Moema N. Queiroz / Foto feita por meu pai. Na cena, minha mãe (+2012) com meu irmão (+2008) nos braços, eu e minha irmã. Nos jardins de minha casa. Outro mundo. Outro tempo. Memórias.

23 de abr de 2013

Dia Internacional do Livro






"Livros não mudam o mundo,
 
quem muda o  mundo são as pessoas. 

Os livros só mudam as pessoas."


Mário Quintana




Traveling around the city with reading by Laurent Hünziker










12 de abr de 2013

Que país é esse? (por Moema N. Queiroz)

Foto publicada no Jornal do Brasil em 13 de dezembro de 1968 - de Orlando Brito
http://macariobatista.blogspot.com.br/2012/03/fotografia-e-historia-sexta-feira-13.html

Este é um país de mentiras! Um país perverso! Onde se vendem ilusões!
Enquanto estamos vivendo uma falsa prosperidade, nossos jovens continuam morrendo, mães e pais continuam chorando. Os corruptos, as quadrilhas, os petralhas retornam ou se perpetuam no poder. Não temos qualidade de ensino, de saúde, de mobilidade urbana, de saneamento básico onde se mais necessita, de segurança urbana para nós cidadãos pagantes de exorbitantes impostos. Enquanto isso bilhões saem de nossos bolsos para destruírem e reconstruírem estádios de futebol e alimentarem essa máquina voraz da corrupção, bancarem essa cenografia fake e alimentarem essa corja no poder, enquanto nossa sociedade assiste à impunidade, ao crescimento da violência e ao descaso para com um país inteiro. Não temos partidos políticos, temos corporações que lutam apenas por seus próprios interesses. Com nossos recursos que deveriam estar sendo investidos em saúde, educação, segurança, melhoria urbana para nós brasileiros. Somos "lembrados" apenas em época de eleições com o mesmo discurso, a mesma falsa imagem, as mesmas falsas promessas. A inflação sobe vorazmente e no país do faz de conta se insiste no discurso da prosperidade. Quando veremos nossas famílias  esperarem seus membros chegarem em casa, sem o medo de que tenham sofrido ou possam sofrer algum tipo ou todo o tipo de violência? Quando veremos os canalhas do poder efetivamente cumprirem suas penas, serem julgados, devolverem nosso suor roubado em bilhões aos cofres públicos? Quando vivenciaremos  as escolas públicas verdadeiramente honrarem essa chancela  com o devido respeito e qualidade e mudarem através da qualidade de ensino as mentalidades desse nosso país, para que verdadeiramente tenhamos uma realidade promissora?  A discussão sobre redução da maioridade ganha cada vez mais força, sendo novamente discutida principalmente devido aos últimos acontecimentos. A pena de morte é recebida por muitos, como uma solução para nossas mazelas sociais, como se essas questões fossem resolver a ineficiência de nosso sistema penal, de nosso código penal obsoleto, da falta de investimento em um sistema prisional digno e de real recuperação àqueles que lá se encontram. Mas quando ocorrerá uma real discussão sobre as soluções quanto a esses milhares de jovens sem perspectivas, sem horizontes, sem educação, abandonados à própria sorte e à mercê dos mais baixos valores, por falta de vontade política para modificar esse quadro? Quando esse interminável círculo de falta de futuro, acirrada pela absurda corrupção que corrói esse país,  mudará essas tristes estatísticas de violência, morte e catástrofes anunciadas? Quando alcançaremos uma maioridade equilibrada e consciente como País? É horrível pensarmos  nos últimos acontecimentos, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em São Paulo, em Santa Maria, enfim, de norte ao sul desse Brasil. É horrível pensarmos que estamos reféns, mesmo gritando e buscando mudanças, de um sistema corrupto e impiedoso. É horrível assistirmos pessoas despreparadas, preconceituosas, desclassificadas, inoperantes, assumirem postos de extrema responsabilidade e necessitando de grande dose de ética, no Poder.  Enquanto o país real se desmancha, a industria da seca se perpetua, a violência corrompe e mata nossos jovens, a impunidade continua livre, a "ilha da fantasia" cada vez maior, corrupta e indecente, nós nos atamos aos emaranhados desse novelo de um poder que continua a rir de nós, cidadãos desse país. Muitos de nós queremos mudanças. Em nosso cotidiano, tentamos contribuir de alguma forma para melhorarmos esse nosso país. Mas o que vemos, no horizonte, por enquanto,  são somente poderosas nuvens negras. 

O poder, sem ética, corrompe. 

Que país é esse?