"Com todo o cuidado guarda teu coração, pois dele procede a vida" (Pv. 4, 23)

23 de abr de 2013

Dia Internacional do Livro






"Livros não mudam o mundo,
 
quem muda o  mundo são as pessoas. 

Os livros só mudam as pessoas."


Mário Quintana




Traveling around the city with reading by Laurent Hünziker










12 de abr de 2013

Que país é esse? (por Moema N. Queiroz)

Foto publicada no Jornal do Brasil em 13 de dezembro de 1968 - de Orlando Brito
http://macariobatista.blogspot.com.br/2012/03/fotografia-e-historia-sexta-feira-13.html

Este é um país de mentiras! Um país perverso! Onde se vendem ilusões!
Enquanto estamos vivendo uma falsa prosperidade, nossos jovens continuam morrendo, mães e pais continuam chorando. Os corruptos, as quadrilhas, os petralhas retornam ou se perpetuam no poder. Não temos qualidade de ensino, de saúde, de mobilidade urbana, de saneamento básico onde se mais necessita, de segurança urbana para nós cidadãos pagantes de exorbitantes impostos. Enquanto isso bilhões saem de nossos bolsos para destruírem e reconstruírem estádios de futebol e alimentarem essa máquina voraz da corrupção, bancarem essa cenografia fake e alimentarem essa corja no poder, enquanto nossa sociedade assiste à impunidade, ao crescimento da violência e ao descaso para com um país inteiro. Não temos partidos políticos, temos corporações que lutam apenas por seus próprios interesses. Com nossos recursos que deveriam estar sendo investidos em saúde, educação, segurança, melhoria urbana para nós brasileiros. Somos "lembrados" apenas em época de eleições com o mesmo discurso, a mesma falsa imagem, as mesmas falsas promessas. A inflação sobe vorazmente e no país do faz de conta se insiste no discurso da prosperidade. Quando veremos nossas famílias  esperarem seus membros chegarem em casa, sem o medo de que tenham sofrido ou possam sofrer algum tipo ou todo o tipo de violência? Quando veremos os canalhas do poder efetivamente cumprirem suas penas, serem julgados, devolverem nosso suor roubado em bilhões aos cofres públicos? Quando vivenciaremos  as escolas públicas verdadeiramente honrarem essa chancela  com o devido respeito e qualidade e mudarem através da qualidade de ensino as mentalidades desse nosso país, para que verdadeiramente tenhamos uma realidade promissora?  A discussão sobre redução da maioridade ganha cada vez mais força, sendo novamente discutida principalmente devido aos últimos acontecimentos. A pena de morte é recebida por muitos, como uma solução para nossas mazelas sociais, como se essas questões fossem resolver a ineficiência de nosso sistema penal, de nosso código penal obsoleto, da falta de investimento em um sistema prisional digno e de real recuperação àqueles que lá se encontram. Mas quando ocorrerá uma real discussão sobre as soluções quanto a esses milhares de jovens sem perspectivas, sem horizontes, sem educação, abandonados à própria sorte e à mercê dos mais baixos valores, por falta de vontade política para modificar esse quadro? Quando esse interminável círculo de falta de futuro, acirrada pela absurda corrupção que corrói esse país,  mudará essas tristes estatísticas de violência, morte e catástrofes anunciadas? Quando alcançaremos uma maioridade equilibrada e consciente como País? É horrível pensarmos  nos últimos acontecimentos, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em São Paulo, em Santa Maria, enfim, de norte ao sul desse Brasil. É horrível pensarmos que estamos reféns, mesmo gritando e buscando mudanças, de um sistema corrupto e impiedoso. É horrível assistirmos pessoas despreparadas, preconceituosas, desclassificadas, inoperantes, assumirem postos de extrema responsabilidade e necessitando de grande dose de ética, no Poder.  Enquanto o país real se desmancha, a industria da seca se perpetua, a violência corrompe e mata nossos jovens, a impunidade continua livre, a "ilha da fantasia" cada vez maior, corrupta e indecente, nós nos atamos aos emaranhados desse novelo de um poder que continua a rir de nós, cidadãos desse país. Muitos de nós queremos mudanças. Em nosso cotidiano, tentamos contribuir de alguma forma para melhorarmos esse nosso país. Mas o que vemos, no horizonte, por enquanto,  são somente poderosas nuvens negras. 

O poder, sem ética, corrompe. 

Que país é esse?