"Com todo o cuidado guarda teu coração, pois dele procede a vida" (Pv. 4, 23)

6 de ago de 2015

Ciclos© (por Moema N. Queiroz)

Duplo


Tempos densos sempre chegam.
E é impossível adiantar o compasso. A caverna é inevitável. Por vezes, somos rodeados por pensamentos dolorosos... Por outras, um vazio indecifrável. Ondas densas que insistem em nos afogar, como entes se apoderando de nossas forças, digerindo essências iluminadas que anteriormente tranquilizavam os geradores da vida. Em instantes, cremos mesmo que a Lua será sempre minguante, e que o Tempo nunca voltará a seu ritmo. E que nos transformaremos em era, folhas secas, quebradiças, poeira, vazios. E que a respiração ofegante não cessará. Será o fim. E que a dor lancinante jamais deixará de pulsar. Um olhar rápido e lá desfilam as tristezas, todas, em um só golpe. Em slow motion, pra torturar. Tomando a nossa mão com tal intimidade  displicente como se houvesse sido dada permissão. Num átimo de segundo, o olhar se perde e se torna frio. E o peso nas costas nos enverga. Paralisa. Petrifica. Ajoelho. Mas há contido nesse novelo uma essência... recordamos,  possuímos uma história que nos embalou e nos conduziu  até o agora. Então um sopro fresco vem lá do fundo, bem de dentro do nosso abismo, nos preenchendo com algumas clarezas, mesmo que incertas. A sensação do acolhimento, aquele velho conhecido. Com ele o estranho desejo de que talvez seja possível tudo melhorar.
Tempos bons soam próximos.


Afetuosamente,
Moema




Texto e Imagem por Moema N Queiroz
[Fotografia: Duplo por Moema N Queiroz, Veneza/IT, Fevereiro, 2013]

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